Faça o que você quiser e não o que dizem para fazer

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Foto: Viajesemsegredo

Viajar é uma coisa tão particular, ao menos deveria ser, que nós mesmos nos enchemos de duvidas antes de começar. Pra onde ir, o que fazer, o que comer e etc. Tenho reparado que muita gente diz: Vai pra tal lugar? você tem que fazer tal coisa, se não fizer, você não visitou!

Na boa, não façam o que dizem pra fazer, faça o que você quer fazer!

Vejo muito em blogs e grupos no Facebook, “Você tem que fazer isso” e tenho dois exemplos pra provar o contrário.

O primeiro, quando fui para o Peru em 2015, fui para Lima e Cusco mas com pouca pretensão de ir até Machu Picchu por conta do preço. Na época, o dólar custava R$4,00, ir para Machu Picchu custaria U$250,00, ou seja, R$1000,00 em um único dia! Então, pensei, vou curtir o que eu pudesse, e depois pensaria sobre ir até Machu Picchu.

Fiquei 5 dias em Lima, 6 em Cusco. Conheci muita gente, me diverti demais, era minha primeira viagem internacional sozinho. No fim, acabei indo a Machu Picchu, quase perdi o o prazo pra reservar o tour pois me diverti muito com os “gringos loucos”.

Acabei indo pra Machu Picchu, mas porque eu queria e não porque me disseram pra ir.

O segundo e principal exemplo, também aconteceu no Peru. Desta vez, eu estava mochilando, já lá para os 45 dias de viagem, cheguei em Arequipa, completamente certo que chegaria ao topo de um vulcão ativo, o Misti.

Há muitas coisas para se fazer em Arequipa. Um dos principais tours, é o Canion del Colca, um dos canions mais profundos da America do Sul e ainda você pode observar o voo de um Condor. Mas isso, eu não queria fazer!

Muitos me disseram: Poxa, foi até Arequipa e não foi ao Canion del Colca? Estava ali no Peru e não foi ver as linhas de Nazca? Não! Não fui. Na verdade, não consegui subir até o cumbre do Misti. Passei seis dias perguntando nas agencias  se já tinha formado um grupo para subir.

Era necessário somente mais três pessoas para formar o grupo de quatro e não foi possível. As pessoas insistiam para que eu fizesse o tour para o Colca Canion. Foi quando eu percebi que a maioria das pessoas fazem o que mandam e não o que querem!

Afinal, o que eu fiz nesses seis dias em Arequipa?

Fiz amizades, comi todos os pratos e menus possíveis nos restaurantes menos turísticos e mais baratos possíveis! Gastava em média R$6,00 em um belo de um almoço que só me restava dormir durante a tarde.

Comprei um violão, toquei na rua pela primeira vez e ganhei R$25,00 em apenas uma hora!

Um amigo novo, argentino, me deu a dica de onde comprar cigarros mais barato, me ensinou a chorar por um preço mais e conta, e no final, saímos correndo na altitude para nos livrar dos pedintes! Aventura total!

Todas as noites no hostel, fazíamos musica, eu, um argentino, um casal da Colômbia,  um chileno que cantava em português e uma moça do japão, que não entendiamos quase nada do que ela falava, mas a musica era universal!

Fiquei amigo da família dona do hostel, que acabou me oferendo diárias de graça em troca de pouco trabalho, coisa que não pude aceitar pois precisava seguir meu caminho. Até hoje, agradeço muito por isso!

Aprendi ali, a aceitar que as vezes não podemos fazer tudo o que queremos ou o que esperam que façamos. Horas, fui até Arequipa somente para subir o Misti e não fui! Aprendi que aproveitar ao máximo os momentos, seria o certo pra fazer dali pra frente.

Na minha ultima noite, observando o vulcão Misti iluminado pela super lua (foto em destaque) enquanto filosofava bobagens sobre a vida com um francês, pude refletir que eu estava pronto para apenas viajar e conhecer, e não consumir!

Ali, em Arequipa, deixei de ser um turista e me tornei um viageiro! Estava pronto pra fazer qualquer coisa e minha viagem tomou todo o sentido!

Conhecer e ser livre é bom demais!

 

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